Estrutura permitirá produção rápida de vacinas em caso de emergência sanitária e fortalece o status do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação
O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária no setor agropecuário. Autoridades brasileiras participaram, nesta sexta-feira (17), da cerimônia oficial de entrega do Banco Nacional de Antígenos para Resposta de Emergência à Febre Aftosa, instalado na unidade da Biogénesis Bagó, em Garín, na província de Buenos Aires, na Argentina.A iniciativa representa um importante reforço na capacidade do país de responder rapidamente a possíveis focos da doença, garantindo maior segurança ao rebanho nacional e protegendo um dos principais setores da economia brasileira.
A entrega ocorre pouco mais de um ano após o Brasil conquistar, em maio de 2025, o reconhecimento internacional como país livre de febre aftosa sem vacinação, condição que exige monitoramento constante e planos eficientes para conter qualquer eventual surto.
Durante a visita técnica, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, conheceu a estrutura da Biogénesis Bagó, considerada um dos mais modernos complexos de biotecnologia voltados à saúde animal. O local abriga uma reserva estratégica de antígenos e vacinas capazes de atender rapidamente situações emergenciais envolvendo a febre aftosa.
Segundo representantes da empresa, o banco de antígenos é resultado da cooperação entre o Ministério da Agricultura, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Biogénesis Bagó, reunindo tecnologia, pesquisa científica e planejamento para ampliar a proteção sanitária brasileira.
Estoque estratégico garante resposta rápida
O projeto integra um acordo firmado em dezembro de 2025, com validade de dez anos, que prevê a manutenção de um banco contendo antígenos suficientes para produzir até 10 milhões de doses de vacinas contra os principais sorotipos do vírus que já circularam no Brasil.
Caso seja identificado um foco da doença, a estrutura permitirá o fornecimento imediato das vacinas, reduzindo significativamente o tempo de resposta das autoridades sanitárias e minimizando riscos para a pecuária nacional.
Como funciona o banco de antígenos
O banco estratégico armazena antígenos em tanques de nitrogênio líquido a aproximadamente -170°C, preservando os insumos por longos períodos.Quando necessário, esses antígenos podem ser utilizados para fabricar vacinas em poucos dias, permitindo uma resposta muito mais rápida do que seria possível com a produção convencional.
Diferentemente das vacinas prontas, que possuem prazo limitado de validade, os antígenos permanecem conservados por vários anos, tornando o sistema mais eficiente e econômico para situações de emergência.
Importância para o agronegócio brasileiro
A febre aftosa é considerada uma das doenças de maior impacto econômico para a pecuária mundial. Um eventual surto pode comprometer exportações, provocar restrições comerciais e causar prejuízos expressivos ao setor.Com a implantação do Banco Nacional de Antígenos, o Brasil amplia sua capacidade de prevenção, fortalece seus programas de vigilância sanitária e oferece maior segurança aos produtores rurais e aos mercados internacionais que importam carne brasileira.
Além de representantes do Ministério da Agricultura e do Tecpar, participaram da cerimônia executivos da Biogénesis Bagó, integrantes do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) e representantes da Embaixada do Brasil em Buenos Aires.
Editado
por Jefferson Gauchão
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