Estudantes do RS criam site para ajudar vítimas de enchentes
As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul motivaram estudantes de Porto Alegre a criar uma plataforma para identificar famílias em áreas de risco e facilitar o acesso à moradia temporária. O projeto será apresentado no Festival Marista de Robótica 2026, em Belo Horizonte.
As enchentes que devastaram cidades gaúchas em maio de 2024 continuam inspirando iniciativas para reduzir os impactos de futuros desastres. Em Porto Alegre, estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental do Colégio Marista Rosário desenvolveram um site que pretende aproximar moradores de áreas vulneráveis, poder público e Defesa Civil.A plataforma foi idealizada para organizar informações sobre famílias expostas a riscos climáticos e facilitar a identificação de pessoas que possam precisar de ajuda em situações de emergência. A proposta também inclui a conexão entre quem necessita de moradia temporária e pessoas dispostas a oferecer imóveis.
O projeto será apresentado nos dias 4 e 5 de novembro de 2026, durante o Festival Marista de Robótica, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Como funciona o site criado por estudantes do RS?
A ferramenta foi desenvolvida na modalidade Incubando Ideias e tem como objetivo utilizar a tecnologia para melhorar a preparação das comunidades diante de eventos climáticos extremos.
Entre as funcionalidades previstas estão o cadastro de informações sobre residências em regiões suscetíveis a alagamentos e a organização desses dados em um mapa de calor, que poderá ajudar a identificar áreas com maior concentração de pessoas potencialmente vulneráveis.
A proposta contempla, especialmente, localidades como a região das Ilhas, em Porto Alegre, que enfrenta desafios relacionados às cheias.
Com os dados organizados, a plataforma pretende auxiliar na identificação de famílias que possam necessitar de atendimento prioritário quando houver previsão de chuvas intensas.
Moradia temporária também faz parte da iniciativa
Além do mapeamento de áreas vulneráveis, o projeto prevê recursos para aproximar pessoas que precisam deixar suas casas de proprietários dispostos a disponibilizar imóveis.
A iniciativa considera duas possibilidades:
Aluguel social: apoio à busca por uma moradia temporária para famílias afetadas.
Moradia solidária: conexão com pessoas dispostas a oferecer um imóvel para acolher quem precisa.
A proposta é facilitar a identificação das necessidades habitacionais e contribuir para uma resposta mais organizada durante situações de emergência.
A plataforma, no entanto, é um projeto em desenvolvimento. Sua efetividade dependerá de fatores como a participação dos moradores, a atualização das informações e a articulação com os órgãos responsáveis pelo atendimento à população.
Enchentes de 2024 motivaram a criação do projeto
A iniciativa surgiu após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024, deixando milhares de pessoas fora de casa e evidenciando as dificuldades enfrentadas pelas comunidades durante situações de calamidade.
Os estudantes buscaram uma alternativa tecnológica que pudesse contribuir para a identificação de famílias em risco e para o planejamento de medidas de apoio.
Segundo Márcio Giacomini, coordenador de Tecnologias Educacionais, a intenção é transformar os cadastros em informações úteis para orientar ações emergenciais e ajudar a localizar alternativas de moradia para quem precisar sair de casa.
O próximo passo previsto é apresentar a proposta à Defesa Civil, com o objetivo de avaliar seu potencial de aplicação prática.
A iniciativa não substitui obras de prevenção, sistemas de alerta ou políticas públicas de habitação. A proposta é atuar como uma ferramenta complementar para facilitar o acesso a informações e melhorar a organização do atendimento.
Festival de Robótica reúne estudantes gaúchos em Belo Horizonte
O projeto do Colégio Marista Rosário integra a participação da Regional Porto Alegre no Festival Marista de Robótica 2026.
A delegação contará com 15 equipes, aproximadamente 120 estudantes e 15 educadores, representando oito unidades da rede:
Colégio Marista Rosário;
Marista Aparecida;
Marista Medianeira;
Marista Roque;
Marista Santa Marta;
Marista Sant’Ana;
Marista Santo Ângelo;
Marista São Luís.
Ao todo, o festival deverá reunir mais de 2 mil estudantes em projetos relacionados à tecnologia, à inteligência artificial, à prevenção de deslizamentos, à preservação ambiental e a outros desafios urbanos.
O encontro oferece espaço para que os participantes apresentem soluções desenvolvidas a partir de problemas reais e discutam como a inovação pode contribuir para a sociedade.
Tecnologia e moradia digna são temas do festival
Promovido pelo Marista Brasil, o evento deste ano tem como tema “Cidades Fraternas”. A proposta é estimular reflexões sobre o direito à cidade, o acesso à moradia digna e a construção de comunidades mais seguras, inclusivas e sustentáveis.
Realizado desde 2008, o festival reúne estudantes de instituições públicas e privadas de diferentes regiões do país.
A edição de 2026 está organizada em quatro modalidades:
Cidade Laboratório: desenvolvimento de propostas relacionadas aos desafios das cidades.
Destrava Mentes: atividades voltadas à criatividade e à resolução de problemas.
Incubando Ideias: criação e desenvolvimento de projetos com potencial de aplicação social.
Desafio de Robôs: construção e programação de robôs para cumprir missões.
A plataforma idealizada pelos estudantes gaúchos se destaca por relacionar tecnologia, prevenção de desastres e necessidades habitacionais, transformando uma experiência vivida pela população em uma proposta de inovação social.
Inovação pode ajudar comunidades a enfrentar eventos extremos
A criação do site demonstra como projetos educacionais podem partir de problemas concretos para desenvolver alternativas de interesse coletivo.
No caso do Rio Grande do Sul, a experiência das enchentes reforçou a importância do planejamento, da prevenção e da preparação das comunidades para eventos climáticos severos.
Se a plataforma avançar para uma implementação em parceria com os órgãos competentes, poderá contribuir para organizar informações sobre áreas vulneráveis e facilitar a identificação de necessidades emergenciais. Essa possibilidade, contudo, ainda depende da avaliação e da adoção do projeto pelas instituições responsáveis.
Fonte institucional: Marista Brasil.

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