Diabetes: casos devem crescer 45% na América Latina até 2050

Diabetes pode crescer 45% na América do Sul e Central até 2050. Veja como o frio e o calor afetam a glicemia e quais cuidados ajudam a proteger a saúd

 Projeção da Federação Internacional de Diabetes também reforça a importância do autocuidado diante das mudanças de temperatura.

Diabetes exige atenção redobrada diante do frio e do calor

Cuidados com a glicemia, hidratação e conservação dos medicamentos são importantes para pessoas com diabetes em períodos de frio e calor. Imagem ilustrativa.

O número de adultos com diabetes na América do Sul e Central poderá aumentar 45% até 2050. A estimativa faz parte da 11ª edição do Atlas de Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF), publicada em 2025, e reforça a importância dos cuidados permanentes com a doença.

De acordo com o levantamento, a região deverá passar de 35,4 milhões de pessoas com diabetes, em 2024, para 51,5 milhões em 2050. No cenário mundial, a projeção também aponta crescimento de 45%, passando de 588,7 milhões para 852,5 milhões de adultos entre 20 e 79 anos.

Além do acompanhamento médico, da alimentação equilibrada e da prática de atividades físicas, pessoas com diabetes precisam observar como as mudanças de temperatura podem interferir no controle da glicemia.

Como o frio pode afetar quem tem diabetes?

Durante períodos de temperaturas baixas, o organismo pode reagir ao frio como uma situação de estresse. Essa resposta envolve a liberação de hormônios, como o cortisol, que podem interferir na ação da insulina e favorecer o aumento da glicose no sangue.

Segundo orientações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o frio também pode dificultar a prática de exercícios ao ar livre.

Outro fator de atenção são as mudanças na alimentação e na rotina. Durante o inverno, algumas pessoas reduzem as atividades físicas e modificam os hábitos alimentares, o que pode prejudicar o controle da doença.

Por isso, manter uma rotina de movimentação, respeitando as condições de saúde e as orientações profissionais, continua sendo importante mesmo nos dias mais frios.

Calor intenso aumenta o risco de desidratação

Quando as temperaturas sobem, a principal preocupação é a perda de líquidos pelo organismo.

Pessoas com diabetes podem apresentar maior risco de desidratação. Quando o corpo perde água em excesso, a concentração de glicose no sangue pode aumentar, dificultando o controle da doença.

O calor também pode interferir na maneira como o organismo utiliza a insulina. Em algumas situações, é necessário intensificar o monitoramento da glicemia, conforme orientação da equipe de saúde.

A Sociedade Brasileira de Diabetes também alerta que a hidratação adequada e os cuidados durante atividades físicas são importantes para evitar complicações em períodos de calor intenso.

Armazenamento da insulina exige cuidados

Outro aspecto importante é a conservação dos medicamentos e equipamentos utilizados no tratamento.

A exposição da insulina a temperaturas inadequadas pode comprometer sua eficácia. O calor excessivo, a exposição direta ao sol e o congelamento são situações que precisam ser evitadas.

Por isso, os medicamentos devem ser armazenados conforme as instruções do fabricante.

Também é importante não deixar insulina, aparelhos de medição ou outros materiais dentro de veículos expostos ao sol, onde a temperatura pode subir rapidamente.

Atenção especial à pele e aos pés

Os cuidados com a pele e os pés também fazem parte da rotina de quem convive com diabetes.

Pessoas que apresentam alterações na circulação ou perda de sensibilidade podem não perceber pequenos ferimentos, rachaduras e lesões.

Sem os cuidados adequados, essas alterações podem evoluir para infecções e outras complicações.

A enfermeira Andrezza Silvano Barreto, da Vuelo Pharma, destaca a importância de observar diariamente essas regiões do corpo.

Segundo a especialista, pequenas lesões podem passar despercebidas, principalmente quando existe perda de sensibilidade nos pés. Por isso, alterações de coloração, feridas ou lesões que não cicatrizam precisam de avaliação profissional.

Confira os principais cuidados para quem tem diabetes

Independentemente da estação do ano, algumas medidas ajudam a manter o acompanhamento da doença:

  • Monitorar a glicemia: realizar as medições conforme a orientação da equipe de saúde.

  • Manter a hidratação: beber água regularmente, especialmente durante períodos de calor.

  • Praticar atividades físicas: preservar a rotina de exercícios, respeitando as condições climáticas e os limites individuais.

  • Proteger os medicamentos: evitar exposição ao sol, calor excessivo e temperaturas abaixo das recomendadas.

  • Observar os pés diariamente: verificar a presença de feridas, rachaduras, alterações de cor ou inchaços.

  • Manter o acompanhamento médico: não alterar medicamentos ou doses sem orientação profissional.

Dia Mundial do Diabetes reforça importância da prevenção

Celebrado em 14 de novembro, o Dia Mundial do Diabetes busca ampliar a conscientização sobre a doença, seus fatores de risco, o diagnóstico e as formas de prevenir complicações.

A data também chama a atenção para a importância do acesso à informação e ao acompanhamento adequado.

Com o avanço dos casos projetado para as próximas décadas, os cuidados cotidianos ganham ainda mais relevância. Observar as mudanças do organismo, manter o tratamento e adaptar a rotina às condições climáticas são atitudes importantes para preservar a saúde e a qualidade de vida.

Fontes e referências: Federação Internacional de Diabetes (IDF), Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), Sociedade Brasileira de Diabetes e informações atribuídas à enfermeira Andrezza Silvano Barreto, da Vuelo Pharma.