Saúde mental e infância entram no foco do próximo governo do RS
Entidade cobra avanços no atendimento infantil, prevenção da violência e redução das desigualdades regionais.
A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) defende que saúde mental, desenvolvimento infantil, atendimento especializado e proteção contra a violência sejam prioridades do próximo governo estadual. A entidade também cobra maior integração entre saúde, educação e assistência social e redução das diferenças no acesso aos serviços entre as regiões do Estado.
Segundo o presidente da SPRS, Dr. Marcelo Porto, as políticas destinadas às crianças e aos adolescentes precisam ter planejamento de longo prazo e acompanhar as diferentes fases do desenvolvimento.
Para a entidade, identificar precocemente problemas de saúde e situações de vulnerabilidade pode ampliar as possibilidades de tratamento e reduzir impactos futuros na qualidade de vida.
Acesso a especialistas ainda é um desafio
Entre os principais problemas apontados pela Pediatria estão as dificuldades para conseguir consultas com especialistas, exames, terapias e acompanhamento de equipes multiprofissionais.
A situação é considerada especialmente preocupante em áreas como saúde mental, neurologia e desenvolvimento infantil.
A demora para avaliação e tratamento pode atrasar diagnósticos e comprometer intervenções justamente em fases importantes do crescimento.
“É necessário ampliar o acesso à saúde mental, à atenção especializada, ao cuidado multiprofissional e às ações de prevenção.”
A SPRS também defende que crianças e adolescentes tenham acesso adequado aos serviços públicos independentemente do município ou da região onde vivem.
Primeira infância deve ser prioridade
A entidade considera que os primeiros anos de vida precisam receber atenção especial nas políticas públicas estaduais.
Entre as ações consideradas importantes estão:
- acompanhamento do desenvolvimento infantil;
- vacinação;
- alimentação adequada;
- estímulos apropriados para cada fase;
- apoio às famílias;
- identificação precoce de dificuldades;
- acesso rápido a profissionais especializados.
Na avaliação da SPRS, o Governo do Estado pode contribuir principalmente na coordenação das ações, no apoio aos municípios e na organização das referências para atendimentos especializados.
Violência contra crianças preocupa especialistas
O enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes também aparece entre as prioridades apontadas pela entidade.
Dados da Secretaria Estadual da Saúde, compilados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, indicam que 4.435 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes foram registradas no Estado em 2024.
Desse total, 64,4% dos registros foram classificados como estupro, enquanto 83,9% das vítimas eram meninas.
Outro dado chama atenção: 71,2% das ocorrências aconteceram na residência da vítima.
Os números reforçam, segundo a SPRS, a necessidade de ampliar ações de prevenção e preparar profissionais para reconhecer sinais de violência, acolher as vítimas e encaminhar cada caso de maneira rápida e segura.
Rede de proteção precisa trabalhar integrada
Para a Sociedade de Pediatria, o enfrentamento da violência não pode ficar restrito a um único setor.
Saúde, escolas, assistência social, Conselhos Tutelares, segurança pública e sistema de Justiça precisam atuar de maneira articulada.
“Proteger uma criança também significa estar preparado para perceber situações que muitas vezes não são verbalizadas.”
A entidade considera que profissionais da saúde e da educação possuem papel fundamental na identificação de possíveis sinais de abuso.
Também são necessários fluxos claros para que os casos sejam encaminhados e acompanhados sem demora.
Integração entre serviços é apontada como caminho
Outro ponto defendido pela SPRS é a melhoria da comunicação entre os diferentes setores que acompanham crianças e adolescentes.
A proposta é que escolas, unidades de saúde, assistência social e demais estruturas de proteção tenham responsabilidades definidas e mecanismos eficientes para encaminhamento dos casos.
Para o presidente da entidade, políticas voltadas à primeira infância, vacinação, saúde escolar e identificação precoce de problemas precisam ser mantidas e ampliadas.
“Quanto mais cedo identificarmos um problema e conseguirmos atuar de forma integrada, maiores serão as possibilidades de proteger a saúde e o desenvolvimento de crianças e adolescentes.”
Estado pode ampliar apoio aos municípios
Embora boa parte dos serviços de saúde seja executada pelos municípios, a SPRS avalia que o Governo do Estado possui papel estratégico na organização da rede.
Entre as atribuições apontadas estão o apoio técnico e financeiro, a organização das referências regionais e a ampliação do acesso a atendimentos de maior complexidade.
A entidade também defende o fortalecimento da presença do pediatra na Atenção Primária, em articulação com as redes municipais.
Para a Sociedade de Pediatria do RS, colocar crianças e adolescentes entre as prioridades da próxima gestão estadual significa investir em prevenção, diagnóstico precoce, proteção e desenvolvimento.
A entidade entende que uma política pública contínua e integrada pode reduzir desigualdades e garantir atendimento mais adequado às diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
Sobre a Sociedade de Pediatria do RS
Fundada em 25 de junho de 1936, a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul surgiu com o nome de Sociedade de Pediatria e Puericultura do Rio Grande do Sul.
A entidade foi criada pelo professor Raul Moreira e por um grupo de médicos envolvidos com a formação da pediatria no Estado.
Atualmente, a SPRS informa contar com aproximadamente 1.750 associados e atua na representação e no desenvolvimento da pediatria no Rio Grande do Sul.
Redação: Marcelo Matusiak


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