Alimentos “fit” e “zero” podem esconder excesso de açúcar, sódio e aditivos

Nem sempre o que aparece em destaque na embalagem conta toda a história. Um levantamento da Yuka aponta produtos que, apesar de prometerem benefícios,

Você costuma escolher um alimento porque ele traz no rótulo palavras como “fit”, “zero”, “integral” ou “fonte de fibras”?

Essas expressões podem passar a impressão de que o produto é mais saudável.

Mas é preciso olhar além da embalagem.

Um levantamento feito pelo aplicativo Yuka, que permite escanear códigos de barras e analisar a composição de produtos, identificou dez alimentos vendidos no Brasil que usam diferentes alegações relacionadas à saúde e ao bem-estar.

O problema é que alguns deles também apresentam excesso de açúcar ou sódio e possuem aditivos que, segundo a avaliação da plataforma, merecem atenção.

Produtos com a palavra “fit”

Um dos exemplos é o Rap 10 FIT.

A embalagem destaca as expressões “FIT” e “baixo em gordura”.

Mas o produto contém alguns aditivos e apresenta excesso de sódio.

Na avaliação da Yuka, a nota foi de 49 pontos em 100.

Outro exemplo é o YoPRO + Boost.

O produto destaca 23 gramas de proteína, além de prometer benefícios relacionados à recuperação muscular, saciedade e regeneração.

Mas, segundo a Yuka, a composição inclui carboximetilcelulose sódica, carragena, fosfatos e sucralose.

Também há açúcar.

São 4,8 gramas a cada 100 gramas do produto.

A Yuka deu nota zero ao produto.

Já a Nutry Protein Bar destaca a presença de proteína.

São nove gramas por porção indicada na embalagem.

Mas o produto também apresenta excesso de açúcar.

São 6,8 gramas a cada 100 gramas.

A avaliação da Yuka foi de 48 pontos em 100.

Quando o “zero” pode enganar

Outra palavra bastante usada nas embalagens é “zero”.

Mas dizer que um produto não tem determinado ingrediente não significa, necessariamente, que ele seja saudável como um todo.

É o caso do Heinz Tomato Zero.

O produto destaca a ausência de açúcar adicionado.

Mas também contém sucralose e apresenta excesso de sódio.

A nota da Yuka foi de 48 pontos em 100.

O Batavo Grego Pense ZERO também usa várias mensagens positivas na embalagem.

Entre elas estão “70% menos gordura total” e “sem açúcar adicionado”.

A avaliação da Yuka aponta a presença de aspartame e sorbato de potássio.

A nota foi de 48 pontos em 100.

Já o Danone Zero Yogurt apresenta várias alegações de “zero”.

Entre elas estão zero açúcar adicionado, zero colesterol, zero gordura saturada, zero gordura trans e zero lactose.

Mesmo assim, o produto contém sucralose e sorbato de potássio.

Na avaliação da Yuka, a nota foi de apenas 7 pontos em 100.

Outro exemplo é o Nestlé Iogurte Batido Zero.

O rótulo destaca zero lactose, zero açúcar adicionado e zero gordura total.

Mas o produto contém fosfato tricálcico, sorbato de potássio e sucralose.

A Yuka atribui nota 9 em 100.

E os produtos integrais?

As palavras “integral” e “fonte de fibras” também podem criar uma percepção positiva.

Um exemplo é o Nesfit.

A embalagem destaca 36% de cereais integrais e pedaços de avelã.

Mas, segundo a avaliação da Yuka, o produto contém fosfato monocálcico, caramelo IV e TBHQ.

Também apresenta uma quantidade elevada de açúcar.

São 22 gramas a cada 100 gramas de biscoito.

A nota da Yuka foi de 21 pontos em 100.

O Belvita Cacau e Cereais também destaca fibras, cálcio e cereais integrais.

O produto informa ainda que não contém gordura trans.

Mas possui fosfato monocálcico.

A nota da Yuka foi de 27 pontos em 100.

Outro produto citado é o Equilibri Panetini Presunto Defumado.

A embalagem destaca baixo teor de gordura saturada, ausência de gordura trans e zero colesterol.

Porém, o produto contém diversos aditivos e apresenta excesso de sódio.

São 510 miligramas de sódio a cada 100 gramas.

A avaliação da Yuka deu nota 18 em 100.

O que o consumidor deve observar?

A questão não é dizer que uma informação da embalagem seja falsa.

O problema acontece quando uma única característica positiva faz o consumidor enxergar o produto inteiro como saudável.

Esse fenômeno é conhecido como “efeito halo de saúde”.

Um estudo brasileiro publicado em 2022 mostrou que alegações nutricionais nas embalagens reduziram em 32% a chance de os consumidores identificarem corretamente o excesso de nutrientes como açúcar, gordura saturada e sódio.

Por isso, a orientação é olhar além da parte da frente da embalagem.

No Brasil, a rotulagem nutricional frontal ajuda a identificar produtos com alto teor de açúcar adicionado, sódio ou gordura saturada.

Também é importante conferir a lista de ingredientes.

Aplicativos como a Yuka podem ser usados como uma ferramenta complementar para entender melhor a composição dos alimentos.

A recomendação é simples:

não escolha um produto apenas porque ele diz “fit”, “zero” ou “integral”.

Leia o rótulo.

Veja os ingredientes.

Confira a quantidade de açúcar, sódio e gordura.

No fim das contas, é a composição completa que mostra o que realmente está dentro da embalagem.

Segundo a própria Yuka, o aplicativo foi criado justamente para ajudar o consumidor a ir além das mensagens destacadas nos rótulos.