Violência psicológica cresce e pode ficar invisível por anos

Manipulação emocional, controle e dependência podem impedir que mulheres reconheçam sinais de abuso.

 Manipulação emocional, controle e dependência podem impedir que mulheres reconheçam sinais de abuso.


A violência psicológica contra a mulher ganhou ainda mais atenção no Brasil diante do aumento dos registros e das dificuldades para identificar esse tipo de abuso. Em 2025, foram contabilizados 60.830 casos, número 16,9% maior que o registrado no ano anterior, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O dado, porém, pode representar apenas uma parcela do problema. Diferentemente das agressões físicas, a violência psicológica muitas vezes se desenvolve de maneira gradual e silenciosa, fazendo com que a própria vítima demore a reconhecer que está vivendo uma relação abusiva.

Para a treinadora mental e psicanalista Elainne Ourives, um dos principais obstáculos está justamente na forma como a manipulação começa.

“A manipulação emocional quase nunca chega como agressão. Ela começa como excesso de cuidado, proteção ou preocupação.”

Segundo ela, com o passar do tempo, a mulher pode começar a desconfiar das próprias percepções e acreditar que os conflitos são provocados por suas próprias atitudes.

Abuso psicológico começa, muitas vezes, de maneira sutil

Críticas frequentes, ciúme excessivo, chantagem emocional, isolamento de familiares e amigos, controle financeiro, humilhações e inversão de culpa estão entre os comportamentos que podem fazer parte de uma relação abusiva.

O problema é que essas atitudes nem sempre aparecem de forma evidente no início do relacionamento. Em alguns casos, comportamentos de controle podem ser confundidos com preocupação, carinho ou demonstrações de amor.

De acordo com Elainne, a repetição dessas situações pode comprometer gradualmente a autonomia da vítima.

“A pessoa deixa de confiar na própria percepção. Ela passa a pedir autorização para decisões simples, sente culpa por estabelecer limites e acredita que qualquer conflito é consequência dos próprios erros.”

Com a perda progressiva da confiança em si mesma, a mulher pode passar a aceitar comportamentos que anteriormente consideraria inaceitáveis.

Dependência emocional pode dificultar o fim da relação

Uma das perguntas mais comuns diante de um relacionamento abusivo é por que a vítima simplesmente não vai embora. A resposta, segundo especialistas, envolve uma combinação de fatores emocionais, psicológicos, financeiros e sociais.

Em relações marcadas pela manipulação, períodos de agressividade podem ser alternados com pedidos de desculpas, carinho e promessas de mudança.

Esse ciclo pode alimentar a esperança de que o relacionamento volte a ser como era no início.

“A violência psicológica cria um ciclo de recompensa e punição. Depois de momentos de humilhação vêm pedidos de desculpas, demonstrações de carinho e promessas de mudança.”

A dinâmica pode provocar medo, ansiedade, insegurança e culpa, além de contribuir para a diminuição da autoestima.

Quais são os principais sinais de um relacionamento abusivo?

Alguns comportamentos podem funcionar como sinais de alerta, principalmente quando aparecem de maneira frequente e passam a limitar a liberdade da mulher.

Entre eles estão:

  • afastamento de familiares e amigos;
  • medo constante de contrariar o parceiro;
  • necessidade de justificar decisões simples;
  • sentimento permanente de culpa;
  • controle sobre roupas e aparência;
  • fiscalização da rotina;
  • controle financeiro;
  • monitoramento de redes sociais e contatos;
  • humilhações e críticas constantes;
  • desvalorização da autoestima;
  • dificuldade de tomar decisões sem aprovação do parceiro.

Nenhum desses comportamentos deve ser analisado isoladamente. O contexto da relação e a frequência das atitudes são importantes para compreender se existe um padrão de controle e violência.

Violência psicológica pode anteceder agressões mais graves

O abuso emocional não deve ser tratado como um problema menor por não deixar necessariamente marcas físicas.

A violência psicológica pode coexistir com outras formas de violência, incluindo agressões morais, patrimoniais e físicas. Por isso, identificar comportamentos de controle e buscar ajuda precocemente pode ser importante para interromper o ciclo.

A especialista destaca que a reconstrução da autoestima é uma etapa importante para quem consegue romper uma relação abusiva.

“O processo de reconstrução começa quando a mulher volta a confiar em si.”

Retomar a autonomia, reconstruir vínculos sociais e recuperar a capacidade de tomar decisões sem medo são etapas que podem contribuir para a retomada da própria identidade.

Dados mostram que violência contra mulheres continua sendo preocupação

A 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025 com mais de 21 mil brasileiras, apontou que 34% das entrevistadas disseram ter passado por pelo menos uma situação de violência nos 12 meses anteriores.

O levantamento também mostrou que 79% das participantes consideram que a violência contra as mulheres aumentou no Brasil.

Os números reforçam a dimensão do problema e mostram que o enfrentamento da violência contra a mulher depende não apenas de mecanismos legais, mas também de informação, prevenção, acolhimento e redes de apoio.

Informação pode ajudar a reconhecer o abuso

Identificar uma relação abusiva nem sempre é simples, especialmente quando a violência acontece de forma gradual.

Por isso, mudanças no comportamento, perda de autonomia, medo constante, isolamento e controle excessivo merecem atenção.

A busca por familiares, amigos, profissionais especializados, serviços públicos e canais oficiais de proteção pode ser um passo importante para mulheres que estejam enfrentando situações de violência.

Sobre Elainne Ourives

Elainne Ourives é apresentada como treinadora mental, psicanalista, cientista e pesquisadora nas áreas de Física Quântica, Neurociências e reprogramação mental.

Ela é autora de 11 livros e criadora de metodologias e projetos relacionados ao desenvolvimento pessoal e à reprogramação mental. Entre suas obras estão DNA Milionário, DNA da Cocriação, DNA Revelado das Emoções, Cocriador da Realidade, Algoritmos do Universo, Taqui-Hertz, O Meu Ano de Gratidão, Gene da Juventude, Visualização Holográfica, DNA do Dinheiro e Frequência do Milagre.

Também é responsável pelos movimentos “A Vida é Incrível” e “Eu Estou Vivo”.

Importante: as declarações e informações sobre a trajetória profissional da especialista foram apresentadas no material de origem fornecido para esta reportagem.



Editado por Jefferson Gauchão

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