Um disparo rompeu a tranquilidade de uma rua conhecida pela convivência pacífica. Na noite de terça-feira (27), no bairro Barrinha, em Campo Bom (RS), um cão comunitário foi atingido por um tiro durante uma abordagem da Brigada Militar. O animal, conhecido pelos moradores como Negão, vive há anos na região e sempre foi tratado como parte da comunidade.
Câmeras de segurança registraram o momento exato do disparo. Nas imagens, Negão aparece logo após ser baleado, vocalizando de dor e caminhando com dificuldade — cenas que rapidamente provocaram indignação entre moradores e defensores da causa animal.
A ONG Campo Bom Pra Cachorro foi acionada imediatamente e realizou o resgate. O cão foi encaminhado para atendimento veterinário e segue internado, recebendo cuidados especializados. De acordo com a vereadora Kayanne Braga, fundadora da ONG, exames clínicos e de imagem descartaram fraturas ou lesões ósseas, apesar da violência do ocorrido.
Testemunhas relataram que o cão teria avançado contra o policial antes do disparo. No entanto, esse comportamento não aparece nas imagens de segurança, o que levanta questionamentos sobre a real necessidade do uso da arma. Kayanne destaca que Negão sempre apresentou comportamento dócil:
“Ele vive há muitos anos na Barrinha e nunca avançou em ninguém. Fez raio-X sem sedação, algo improvável em um animal agressivo. Mesmo sob estímulos, não tentou morder”, afirmou.
O episódio reacende um debate cada vez mais sensível: o preparo e os limites das abordagens policiais. A Brigada Militar, mais uma vez, ocupa espaço nos holofotes por uma ocorrência negativa para a corporação. Quando não são abordagens consideradas desastrosas ou relatos envolvendo conflitos no meio rural, agora o foco recai sobre a atuação contra um animal comunitário. Para muitos moradores, o sentimento é de tristeza e insegurança.
Na Barrinha, a percepção que fica é dura: além da preocupação cotidiana com a criminalidade, a comunidade passa a questionar se também precisa se manter em alerta diante de ações policiais. Negão, que nunca representou ameaça, tornou-se símbolo desse desconforto coletivo.
A CNN Brasil informou que tenta contato com a Brigada Militar para esclarecimentos oficiais. O espaço permanece aberto para manifestação.
Enquanto isso, Negão segue em recuperação. E sua história ultrapassa o caso isolado: ela expõe feridas mais profundas, cobra transparência das instituições e reforça um pedido simples da comunidade — proteção, preparo e humanidade.
Fonte: CNNEditado por Jefferson
Gauchão
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