Fim da escala 6x1 pode elevar custo de serviços em 6,5%, diz Ipea — e acende alerta sobre desemprego

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A proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um — voltou ao centro do debate nacional e já provoca forte reação no setor produtivo. Segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a mudança pode elevar os custos no setor de serviços em até 6,5%, impacto que tende a ser repassado ao consumidor e pode provocar reflexos diretos no mercado de trabalho.

A discussão ocorre em meio à tramitação de propostas no Congresso que buscam reduzir a jornada semanal e ampliar períodos de descanso. Defensores da medida argumentam que a mudança melhora a qualidade de vida do trabalhador, reduz o adoecimento e aumenta a produtividade. No entanto, empresários e economistas alertam para efeitos colaterais relevantes — especialmente em setores que dependem de mão de obra intensiva, como comércio, bares, restaurantes, supermercados, segurança e transporte.

Pressão sobre custos e risco de demissões

De acordo com análises econômicas, a redução da escala sem diminuição proporcional de salários obrigaria empresas a contratar mais funcionários para manter o mesmo nível de operação. Isso significa aumento na folha de pagamento, encargos trabalhistas e custos operacionais.

Em um cenário de margens já apertadas, especialmente para pequenas e médias empresas, a tendência seria repassar parte desse custo ao preço final dos serviços. O resultado pode ser duplo: inflação no setor e redução do consumo. Com menor demanda, empresários podem optar por enxugar quadros, automatizar processos ou terceirizar serviços — movimento que pode gerar demissões formais.

Especialistas apontam que setores com menor capacidade de absorver custos extras seriam os mais afetados. “Quando o custo sobe e o consumo não acompanha, a conta fecha com corte de vagas”, avaliam analistas do mercado.

Terceirização e informalidade podem crescer

Outro efeito esperado é o aumento da terceirização. Para reduzir encargos diretos, empresas podem migrar parte da operação para prestadores de serviço. Embora legal, essa estratégia pode alterar a dinâmica de vínculos empregatícios e reduzir estabilidade para trabalhadores.

Há também preocupação com o crescimento da informalidade. Em momentos de aumento de custo regulatório, parte das empresas pode recorrer a contratos informais como forma de sobrevivência, especialmente em cidades menores.

Impacto no consumidor

Caso o aumento de 6,5% nos custos se confirme, o consumidor pode sentir no bolso. Serviços do dia a dia — alimentação fora de casa, manutenção, transporte, academias, salões de beleza — podem ficar mais caros. Em um ambiente econômico ainda sensível, qualquer reajuste tende a afetar diretamente o orçamento das famílias.

Debate entre qualidade de vida e sustentabilidade econômica

A discussão sobre o fim da escala 6x1 coloca frente a frente dois princípios: melhoria das condições de trabalho e viabilidade econômica das empresas. Países que adotaram jornadas menores frequentemente passaram por processos graduais e acompanhados de ganhos de produtividade.

No Brasil, o desafio é estrutural. Com alta carga tributária e forte peso de encargos trabalhistas, qualquer alteração na jornada pode ter impacto proporcionalmente maior do que em economias mais competitivas.

O que pode acontecer agora?

A proposta ainda precisa avançar nas comissões e votações no Congresso. Até lá, o debate deve se intensificar entre sindicatos, empresários e especialistas.

Se por um lado a medida busca promover mais equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, por outro levanta um alerta: sem planejamento, compensações ou transição gradual, o efeito pode ser justamente o oposto do desejado — menos empregos formais e serviços mais caros.

O tema promete dividir opiniões e movimentar o cenário político e econômico nos próximos meses.


Editado por Jefferson Gauchão

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Editado por Jefferson Gauchão

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