![]() |
FOTO: ND MAIS |
O caso
Moisés foi levado por vizinhos até a UPA do MultiHospital, no bairro Carianos, no último domingo (17). Uma das pessoas que tentou socorrer a criança foi uma enfermeira, vizinha da família, que chegou a carregá-lo nos braços até a unidade de saúde.
Apesar dos esforços de uma equipe formada por cerca de dez profissionais, que tentaram reanimar o menino por mais de 45 minutos, ele não resistiu.
— “Quando me deparei, percebi que ele já estava sem vida. Sem pulso, sem respiração, sem nada. Fizemos de tudo, ninguém queria desistir” — contou a enfermeira, em entrevista ao programa Cidade Alerta, da NDTV Record.
Ferimentos e suspeitas de violência
Logo nos primeiros atendimentos, os profissionais notaram sinais claros de agressão. Moisés apresentava hematomas no rosto, uma marca de mordida e diversos roxos espalhados pelo corpo.
— “Ao tirar a camiseta, vimos marcas na barriga, nas costas, roxos recentes. Percebemos na hora que havia algo muito errado” — relatou a enfermeira.
Os ferimentos mais graves estavam nas costas do menino, com uma lesão compatível com impacto violento — como uma batida ou empurrão com objeto. Havia ainda pequenas perfurações no abdômen, semelhantes a marcas de agulha.
Inicialmente, cogitou-se que pudessem ser relacionadas a algum tratamento médico, mas essa hipótese foi descartada.
Prisões e investigação
Moisés vivia em uma kitnet na região da Tapera, no Sul da Ilha, com a mãe, uma tia e o padrasto, Richard da Rosa Rodrigues, de 23 anos. O homem é apontado como o principal suspeito pelas agressões.
A mãe e o padrasto foram presos em flagrante logo após a confirmação da morte. Ela foi liberada após audiência de custódia por estar grávida, enquanto a prisão de Richard foi convertida em preventiva.
Desde o óbito, completados quase dez dias, nenhum familiar retornou ao imóvel onde viviam.
O caso está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios da Capital, que já ouviu diversas testemunhas e deve encerrar o inquérito nos próximos dias. A polícia investiga se Moisés sofria maus-tratos constantes e se outras pessoas próximas tinham conhecimento da situação.
Comoção e indignação
A tragédia levantou discussões sobre a necessidade de maior vigilância em casos de violência infantil. Moradores da região afirmaram que a criança já apresentava sinais de descuido antes da morte.
Para os profissionais que tentaram salvar a vida de Moisés, a lembrança da tentativa frustrada de reanimação é dolorosa:
— “Ver uma criança tão pequena, com tantas marcas no corpo, sem vida nos braços, é algo que a gente nunca esquece” — disse a enfermeira.
Enquanto a investigação busca respostas, a comunidade de Florianópolis chora pela vida interrompida de um menino que deveria ter sido protegido.
O menino era autista não verbal.
0 COMENTÁRIOS. AQUI:
Postar um comentário