E lá vamos nós de novo. O Planalto anunciou todo orgulhoso que Lula assinou a recondução de Paulo Gonet ao comando da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ou seja, o presidente escolheu quem vai fiscalizar... o próprio presidente. É praticamente como o síndico do prédio nomear o fiscal que deveria multá-lo pelas festinhas barulhentas de madrugada.
Claro, o governo vende a história como se fosse
“um ato de respeito às instituições”. Mas todo brasileiro com mais de dois
neurônios já entendeu a regra do jogo: Gonet continua no cargo porque é
confiável — confiável não para o povo, mas para quem o nomeou.
O discurso de “independência” é repetido à
exaustão, mas é aquela independência estilo adolescente: só até o pai cortar a
mesada. O procurador pode até latir, mas sabe bem para quem não deve morder.
Enquanto isso, o Planalto festeja como se
tivesse acabado de descobrir a cura da inflação. “Reconduzimos o procurador!”,
anunciam, com direito a tapinha nas costas e coletiva. A população, claro, não
ganha nada com isso — apenas a garantia de que mais uma vez teremos uma PGR que
funciona como um amortecedor político, e não como um fiscal implacável.
Moral da história: no Brasil, mudar os nomes é só detalhe. O roteiro é sempre o mesmo: o presidente escolhe quem deveria investigá-lo, e o procurador finge que é independente. No fim, nós, os inquilinos desse grande condomínio chamado Brasil, seguimos pagando caro por um síndico que manda em tudo — até no fiscal.
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