Bairros mais afetados foram o Vila Rica, o Princesa, o Conceição e o Medianeira
O céu escureceu antes da hora. O vento chegou rasgando o silêncio do fim de tarde e, em poucos minutos, transformou a rotina de Carazinho em apreensão e incerteza.
Não foi apenas um temporal. Foi o barulho seco das árvores tombando, o susto das telhas voando, o medo de quem segurava portas e janelas tentando proteger o que levou anos para construir. Quando a noite caiu, ela trouxe também a escuridão para cerca de duas mil pessoas que ficaram sem energia — e para muitas famílias que passaram a madrugada sem saber por onde começar.
Segundo a Defesa Civil, 14 árvores foram derrubadas e 64 famílias precisaram de lonas para cobrir casas destelhadas. Números que impressionam, mas que não traduzem completamente o que ficou para trás: brinquedos molhados, móveis encharcados, memórias espalhadas pelo chão.
No bairro Ouro Preto, o tradicional CTG Vento Minuano — espaço de encontros, cultura e pertencimento — foi atingido em cheio por um pinheiro de grande porte. A sede foi destruída. O evento marcado para este sábado foi cancelado. Mais do que uma programação suspensa, foi uma pausa forçada na celebração das raízes e da identidade da comunidade.
Na Escola Carlinda de Britto, uma árvore caiu sobre a rede elétrica, ampliando o cenário de risco e insegurança. Nos bairros Vila Rica, Princesa, Conceição e Medianeira, o cenário se repetiu: galhos espalhados, postes no chão, ruas bloqueadas. E na zona rural, onde o levantamento ainda está em andamento, o silêncio revela prejuízos que talvez ainda nem tenham sido totalmente percebidos.
Mas, em meio aos estragos, algo também se ergueu.
Vizinhos se ajudaram. Mãos se uniram para colocar lonas, recolher destroços e oferecer abrigo. Enquanto o poder público organiza números e avalia medidas — incluindo a possibilidade de decretar situação de emergência — a cidade mostra sua força mais genuína: a solidariedade.
O vento levou telhados, interrompeu luzes e destruiu estruturas. Mas não conseguiu arrancar o que sustenta Carazinho há gerações: o espírito coletivo de quem reconstrói junto.
Agora, o dia amanhece com a contagem dos danos — e também com a certeza de que cada árvore caída dará lugar a novos recomeços.
Fonte: Correio do Povo
Editado por Jefferson
Gauchão
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