As novas regras para mudança de categoria da CNH, que entram em vigor em 2026, levantam preocupações relevantes sobre a segurança no trânsito. A combinação da Resolução nº 1.020/25 do Contran com a Portaria nº 923/25 da Senatran altera profundamente o processo para quem pretende migrar para as categorias C, D ou E, reduzindo exigências que historicamente funcionavam como filtros mínimos de qualificação.
Embora o discurso oficial destaque modernização, simplificação e redução de custos, a análise técnica das normas aponta para outro cenário: menos tempo obrigatório de formação prática, maior flexibilização do percurso formativo e lacunas na atualização de cursos especializados. O processo pode até se tornar mais rápido e barato, mas dificilmente mais seguro.
Um dos pontos centrais da mudança é a redução da carga mínima do curso prático especializado para 10 horas. Para a condução de caminhões, ônibus e combinações de veículos, esse tempo é considerado insuficiente para desenvolver domínio técnico, leitura de risco e experiência supervisionada. Na prática, o mercado tende a operar no limite mínimo exigido, priorizando preço e agilidade.
O exame toxicológico foi mantido, o que representa um avanço pontual. No entanto, ele avalia apenas a condição do condutor — e não sua competência técnica —, não sendo capaz de compensar a redução da formação prática.
Com menos exigências ao longo do processo, o exame prático passa a concentrar a função de principal filtro. O problema é que avaliar não é formar. Aprovar um candidato não garante que ele esteja preparado para lidar com situações reais e complexas do trânsito.
Outro ponto crítico é a ausência de previsão clara para a atualização periódica dos cursos especializados. A retirada das reciclagens obrigatórias, especialmente em áreas sensíveis como transporte coletivo, escolar e de produtos perigosos, representa um retrocesso em um setor que exige atualização constante.
Para o motorista, mudar de categoria da CNH em 2026 pode parecer mais simples. Para o sistema de trânsito, no entanto, o processo se torna mais enxuto e menos robusto. Em um país marcado por altos índices de sinistros envolvendo veículos pesados, a questão central não é a facilidade do novo modelo — mas se ele continuará cumprindo sua função principal: proteger vidas.
Fonte: ND+
Editado por Jefferson
Gauchão
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