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sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Enxugamento histórico? Correios avaliam demissão de 10 mil servidores nos próximos anos

Os Correios estudam um novo plano de reestruturação que pode resultar no desligamento de mais de 10 mil funcionários nos próximos anos. A possibilidade, que vem sendo discutida internamente e ventilada por sindicatos, reacende o debate sobre o futuro da estatal, que enfrenta queda de receita, avanço da concorrência privada e pressões por modernização.

Embora a empresa ainda não tenha oficializado um programa de demissões nessa escala, fontes do setor e entidades representativas afirmam que os cortes fazem parte de um conjunto de medidas previstas em cenários analisados pela direção.

Por que os Correios consideram reduzir o quadro de funcionários?

Segundo especialistas, três fatores principais impulsionam a discussão:

1. Encolhimento do mercado de cartas e serviços tradicionais

O volume de cartas e contas enviadas pelos Correios caiu drasticamente nos últimos 10 anos. Com a digitalização de serviços bancários, boletos e documentos, essa área — que já foi o carro-chefe da empresa — perdeu relevância e receita.

2. Competição acirrada no setor de encomendas

O segmento de entregas, que ganhou força com o e-commerce, é dominado por transportadoras privadas mais ágeis e com custos operacionais menores. Para competir, os Correios precisam investir em tecnologia, logística moderna e redução de despesas.

3. Estrutura pesada e déficit operacional

A empresa convive com altos custos trabalhistas, milhares de agências pouco rentáveis e um quadro funcional considerado acima do necessário após mudanças nos hábitos de consumo.
Segundo sindicatos, a direção avalia que o enxugamento seria uma forma de adequar a estatal ao novo momento do mercado.

Como seriam os cortes?

A projeção inclui opções como:

  • Plano de Demissão Voluntária (PDV) e aposentadoria incentivada

  • Fechamento de agências com baixo movimento

  • Centralização de setores administrativos

  • Automação de processos antes realizados por funcionários

A intenção seria promover desligamentos graduais, evitando rupturas bruscas e reduzindo gastos de forma planejada.

Reação dos sindicatos

Entidades que representam os trabalhadores afirmam que a medida prejudicaria o serviço público, principalmente em cidades pequenas onde os Correios são a única presença estatal. Também alertam para risco de sobrecarga nas equipes remanescentes e piora na qualidade das entregas.

Os sindicatos defendem investimentos em tecnologia, modernização da frota e ampliação de serviços, em vez de cortes extensivos.

Privatização ainda no horizonte?

A discussão sobre o futuro dos Correios volta ao debate sempre que surgem planos de reestruturação. Embora o Governo Federal tenha afastado a privatização em larga escala, pressões por equilíbrio financeiro alimentam especulações sobre uma abertura parcial ao setor privado no futuro.

Por enquanto, a estatal segue avaliando cenários — e o possível corte de mais de 10 mil funcionários aparece como um deles.


Fonte da matéria: ND+


Editado por Jefferson Gauchão

 

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