Eleições RS 2026: candidatos ao governo debatem financiamento e filas do SUS
Eleições RS 2026: candidatos ao governo debatem financiamento e filas do SUS

Candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul participaram de debate promovido pela AMRIGS, Rádio Guaíba e Correio do Povo.
Porto Alegre — O financiamento da saúde pública e o futuro do SUS Gaúcho estiveram entre os principais temas do debate entre candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul realizado nesta quarta-feira (30), no Teatro AMRIGS, em Porto Alegre.
O encontro foi promovido pela Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) em parceria com a Rádio Guaíba e o Correio do Povo, quatro dias antes do primeiro turno das eleições de 2026.
Participaram Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB). A mediação foi do jornalista Lasier Martins.
Saúde foi tema de pergunta da AMRIGS
O presidente da AMRIGS, Gerson Junqueira Jr., questionou os quatro candidatos sobre dois pontos relacionados ao SUS Gaúcho.
O primeiro foi sobre como garantir de forma permanente o aumento dos repasses aos municípios para reduzir as filas de consultas especializadas, exames e cirurgias eletivas.
O segundo tratou da possibilidade de ampliar os recursos destinados à tabela do SUS no Estado, com uma remuneração diferenciada para os serviços de saúde prestados no Rio Grande do Sul.
O SUS Gaúcho foi lançado pelo governo estadual em setembro de 2025 com ações voltadas, entre outros objetivos, à redução das filas na saúde.
Gabriel Souza fala em ampliar a rede credenciada
Gabriel Souza (MDB) afirmou que pretende zerar as filas do SUS no primeiro ano de governo.
Entre as medidas apresentadas, citou a abertura, nos primeiros 100 dias, de novos credenciamentos para ampliar a participação de clínicas, policlínicas, hospitais e hospitais-dia que atualmente não atendem pelo sistema público.
O candidato também destacou investimentos realizados na área e afirmou que o SUS Gaúcho já teria retirado 110 mil pessoas da fila, segundo dados apresentados por ele durante o debate.
Juliana Brizola defende aplicação de 12% na saúde
Juliana Brizola (PDT) destacou o tamanho da fila de atendimento e defendeu o cumprimento do percentual constitucional de investimento em saúde.
A candidata afirmou que seu eventual governo manteria a aplicação de 12% na área, além de propor o fortalecimento do projeto Pró-Hospitais.
Brizola também defendeu a retirada de uma taxa criada pela Secretaria Estadual da Saúde, argumentando que a medida teria reduzido a atratividade do programa para empresários.
Marcelo Maranata propõe redução do tempo de espera
Marcelo Maranata (PSDB) colocou o financiamento como um dos pontos centrais para enfrentar as filas do SUS.
O candidato defendeu a renegociação da dívida do Estado e o crescimento da economia como formas de ampliar a capacidade de investimento.
Durante o debate, afirmou que o cumprimento do mínimo constitucional de 12% poderia representar aproximadamente R$ 2,5 bilhões adicionais para a saúde, conforme a estimativa apresentada por ele.
Em relação às filas, Maranata falou em estabelecer metas de tempo de espera, mencionando seis meses para procedimentos de média complexidade e um ano para os de alta complexidade.
Luciano Zucco cobra planejamento para a saúde
Luciano Zucco (PL) questionou a possibilidade de prometer o fim das filas em curto prazo e defendeu maior atenção ao planejamento financeiro.
O candidato também afirmou que o Estado deve cumprir o percentual mínimo constitucional destinado à saúde.
Entre as propostas mencionadas esteve a utilização dos 29 consórcios públicos municipais como parte da estratégia para melhorar a aplicação dos recursos disponíveis.
Zucco também relacionou a melhoria da saúde à retomada do crescimento econômico e à geração de novas receitas para o Estado.
📌 Principais destaques do debate
• SUS Gaúcho: financiamento e continuidade dos recursos estiveram no centro da discussão.
• Filas: os candidatos apresentaram diferentes estratégias para reduzir o tempo de espera.
• Municípios: os repasses estaduais foram discutidos como parte do financiamento da saúde.
• Investimento: o percentual constitucional de 12% apareceu nas propostas apresentadas.
• Carta da AMRIGS: a entidade entregou aos candidatos um documento com prioridades para 2027–2030.
Candidatos também tiveram confronto direto
Além da pergunta da AMRIGS sobre saúde, o debate teve momentos de perguntas entre os próprios candidatos.
O formato incluiu respostas, réplicas e tréplicas, permitindo que os participantes apresentassem propostas e questionassem posicionamentos dos adversários.
As regras do encontro estabeleceram condições iguais de participação entre os quatro candidatos.
AMRIGS entrega Carta Compromisso 2027–2030
Durante o encontro, a AMRIGS entregou aos candidatos a Carta Compromisso 2027–2030, intitulada “Saúde com Futuro e Responsabilidade”.
O documento reúne nove eixos considerados prioritários pela entidade para a saúde do Rio Grande do Sul.
Entre os temas estão vacinação, combate ao uso de cigarros eletrônicos, enfrentamento ao HIV e às infecções sexualmente transmissíveis, saúde planetária e desenvolvimento do SUS Digital.
A carta também aborda o financiamento estadual da saúde, o Programa ASSISTIR, valorização do trabalho médico, expansão da Residência Médica na Secretaria Estadual da Saúde e questões relacionadas ao IPE Saúde.
Debate ocorreu na reta final do primeiro turno
O encontro no Teatro AMRIGS ocorreu quatro dias antes do primeiro turno das eleições de 2026.
A programação promovida pela AMRIGS, Rádio Guaíba e Correio do Povo teve dois dias de atividades. Na terça-feira (29), o espaço recebeu candidatos ao Senado. Na quarta-feira (30), participaram os concorrentes ao Governo do Estado.
Onde assistir ao debate completo
A íntegra do debate pode ser acompanhada pelos canais oficiais da AMRIGS, Rádio Guaíba e Correio do Povo.
A AMRIGS disponibiliza a transmissão em seu canal oficial no YouTube.
Fonte: AMRIGS
Redação: Marcelo Matusiak
Sobre a AMRIGS
A Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) é uma organização sem fins lucrativos fundada em 1951.
A entidade atua na atualização técnico-científica, defesa profissional, associativismo e debates relacionados à saúde e à Medicina.
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